Knesset legaliza licença para matar

No dia 30 de Março, o Knesset (Parlamento israelita) aprovou, por 62 votos a 48, uma lei que instaura a pena de morte para os “terroristas”, abrindo caminho a execuções em massa de presos palestinianos.

A lei visa quem é acusado de ter actuado “com a intenção de pôr fim à existência do Estado de Israel”. Uma definição “especificamente concebida para excluir os terroristas judeus”, como observa o site de notícias israelita Times of Israel (31 de Março).

Embora apoiado por Netanyahu, o projecto de lei é, sobretudo, uma vitória do ministro fascista da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que festejou o resultado da votação com champanhe. Há meses que Ben-Gvir se pavoneia com um alfinete no casaco que representa um nó, símbolo do enforcamento.

Esta fuga para a frente está relacionada com as dificuldades crescentes com que se debate o Estado de Israel e o seu exército.

O diário israelita Haaretz (26 de Março) cita o chefe do Estado-Maior do exército, Zamir, que, em reunião do gabinete de segurança do Governo, se mostra alarmado por o exército israelita “estar a caminho de um colapso interno“.

Se bem que a maioria dos israelitas apoie a guerra, “por mais quanto tempo, quando o Tsahal (as Forças de Defesa de Israel) está a começar a ter baixas no Líbano?“, pergunta a Agência France Press (26 de Março). De facto, como assinala o jornal libanês L’Orient-Le Jour, o exército israelita começou a sofrer graves reveses na frente libanesa, tendo já perdido várias dezenas de soldados e de tanques Merkava.

Em Telavive,
protestos contra a agressão israelita

Em Telavive, Jerusalém e Haifa, no Estado de Israel, milhares de manifestantes judeus e árabes protestaram, a 28 de Março, contra a guerra contra o Irão e a invasão do Líbano. Os manifestantes foram brutalmente dispersados pela Guarda de Fronteiras (Magav), uma das unidades mais brutais da polícia israelita. Antes organizadas por pequenos grupos declaradamente anti-sionistas, às concentrações contra a guerra de 28 de Março juntaram-se grupos como a ONG Standing Together e a “Coligação para uma Parceria pela Paz” criada por alguns membros do Knesset (Parlamento israelita). Segundo o Jerusalem Post, dezoito manifestantes foram detidos após a dispersão do protesto em Telavive.