Recebemos da Plataforma Unitária de Sindicatos informação da reunião que teve com a direcção da CGTP-IN no dia 7 de Abril de 2026, na sede da CGTP, em Lisboa.
A plataforma de sindicatos apresentou as razões do seu pedido de reunião, baseado no apelo de 9 de Fevereiro de nove sindicatos independentes e do movimento Solidários à mobilização geral nos locais de trabalho e a que as centrais sindicais e sindicatos independentes “se empenhem incondicionalmente na unidade de todos os trabalhadores — sindicalizados ou não — e na convocação de uma nova Greve Geral, ainda mais incisiva, se necessário”, visto a força da greve de Dezembro ter nascido “da unidade: as centrais sindicais, os sindicatos independentes, os movimentos sociais e a juventude marcharam juntos, sem barreiras nem sectarismos.”
A delegação da CGTP vincou o seu próprio balanço da luta, começada “muito antes da greve de Dezembro”. Repetiu mais de uma vez que a “convergência” de Dezembro não teria grandes hipóteses de repetir-se, pois a UGT tinha, entretanto, “tomado outro caminho”. Salientou que a CGTP já fizera, no passado, greves com e sem “convergência“, conseguindo sempre “mudar a relação de forças social”. Reafirmou que a CGTP não só exigia a retirada e rejeição do pacote, mas também a revogação das normas laborais gravosas já em vigor. Seriam os trabalhadores a dizer se e quando se haveria de passar de novo a uma etapa superior de luta, que se mantinha como opção possível nos termos da resolução do Conselho Nacional da CGTP. Reafirmou, contudo, que “não estamos no mesmo patamar com a UGT”; que a convergência começava por baixo e que, com ou sem UGT, seria por aí que os trabalhadores se iriam mobilizar
A delegação da Plataforma fez notar que uma das chaves essenciais para o impacto da greve geral de Dezembro fora a convocação em unidade do movimento operário e sindical, que sinalizara aos trabalhadores menos organizados, que, não estando as cúpulas divididas e a puxar em sentidos diferentes, o investimento pessoal e colectivo dos trabalhadores, na base, na luta valia a pena. Fora notória, por exemplo, não só a adesão explícita à greve, mas a popularidade da greve, visível no aplauso dos trabalhadores do comércio de Lisboa por onde a manifestação desfilou e também no impacto político que a greve produziu. Indicou também que a necessidade da unidade dos trabalhadores com as suas organizações representativas não tinha que ver com identidade ou proximidade de políticas, mas com a unidade na acção que permite e incentiva à participação de todos — sabendo que, desde o início, ambas as centrais haviam declarado não só serem contra o pacote, mas pedirem a sua retirada. Era verdade que, depois de Dezembro, a UGT (como desde logo anunciara ser sua intenção) optara por “negociar, por ser esse o seu ADN”. No entanto, não deixava de ser necessário que a direcção da CGTP propusesse explicitamente à direcção da UGT (e esta à CGTP, como a Plataforma proporia quando fosse por ela recebida) e aos sindicatos independentes um plano de acções e mobilizações, incluindo uma nova greve geral mais dura, contra o pacote, em unidade na acção, se e logo que o governo passasse a uma nova fase e apontasse à aprovação parlamentar com manobras políticas baseadas em mudanças cosméticas para conseguir os parceiros necessários para a aprovação. A delegação da plataforma manifestou o seu acordo pleno com a convocação de nova greve geral, decidida democraticamente pela base em plenários de trabalhadores, para derrotar o pacote laboral e também contra o aumento do custo de vida associado, nomeadamente, aos ataques de Trump, que tornam o salário de quem trabalha ainda mais curto.