Nem todos perdem com a guerra

O FMI prevê que o “prejuízo económico suportado por causa do conflito no Irão será muito mais pronunciado nas economias dos mercados emergentes e em vias de desenvolvimento que são importadoras de mercadorias e matérias-primas” (The Economist, 16 de Abril). Em português corrente: nos países pobres e dependentes.

Mas também há muito quem sofra nos países mais desenvolvidos, como já notou qualquer trabalhador ou mesmo pequeno capitalista em Portugal. E até nos próprios Estados Unidos, onde, nos últimos meses, o preço da gasolina e outros combustíveis, um custo iniludível e muito significativo para o trabalhador médio, dependente do automóvel para percorrer longas distâncias, subiu mais de 25%. No geral, a taxa de inflação oficial anual nos Estados Unidos passou de 2,4% em Fevereiro para 3,3% em Março.

Contudo, prejuízo nem sempre é a palavra mais ajustada para descrever o impacto da guerra.

A petrolífera britânica BP, por exemplo, anuncia um primeiro trimestre “excepcional”, esperando os analistas algo como 2.600 milhões de dólares de lucro líquido: um aumento de 20%.

A grande banca americana também fez grandes negócios, nomeadamente graças à volatilidade dos preços nas bolsas de mercadorias e valores. Segundo o mesmo número da revista The Economist, o lucro líquido do JPMorgan Chase subiu 13%, atingindo 16.500 milhões de dólares. Os lucros do Citigroup subiram 42%, para 5.800 milhões, o máximo da década, enquanto o Goldman Sachs aumentou os lucros em 20%, para 5.600 milhões, em grande parte graças a transacções em bolsa.

Continuaram a subir fortemente, também, as acções dos gigantes da big tech, Oracle, Nvidia, Intel e outros, cujos produtos, nomeadamente a inteligência artificial e acessórios a ela necessários, encontram cada vez mais aplicações na indústria da guerra, que agora dispõe de orçamentos públicos que só têm o céu como limite. Explica-se assim o apetite inesgotável do imperialismo pela guerra: os negócios prosperam como nunca, e a carne incinerada para canhão não pesa no balanço.