As manifestações de 25 de Abril de 2026 tiveram, uma vez mais, como nos dois anos anteriores, a participação de centenas de milhar de trabalhadores e jovens em todo o país. A manifestação de Lisboa, em particular, depois da manifestação-monstro de 2024 e da extraordinária participação que se repetiu em 2025, voltou a encher o eixo de Lisboa, do Marquês de Pombal ao Rossio, de um mar de gente.
O ambiente, embora festivo, foi de luta: contra o pacote laboral, contra a guerra, contra o genocídio sionista na Palestina.
As manifestações do 25 de Abril têm uma característica distintiva. Não é tanto o seu aspecto “comemorativo”. É o serem pouco “enquadradas”. O povo trabalhador e a juventude usam-nas para ocuparem as ruas de novo em discurso directo, como na revolução: a de há meio século; e a que volta a ser necessária.
Recordemos o contexto: nos últimos anos, deu-se uma queda eleitoral abrupta dos partidos que foram a representação política maioritária da classe trabalhadora em Portugal. Paralelamente, subiu significativamente a votação na direita — sobretudo na extrema-direita neofascista.
A taxa de sindicalização baixou nas últimas décadas, sobretudo no sector privado. As acções sindicais, em todo o caso as acções unilaterais de cada central, têm averbado êxitos limitados na luta contra a ofensiva dos governos contra as conquistas e direitos dos trabalhadores. Enquanto a UGT se dedica a intermináveis concertações destinadas a evitar a luta a todo o custo, as manifestações da CGTP, fortemente enquadradas e ritualizadas em jornadas de luta sem amanhã, mais do que unir, dividem.
E no entanto… a greve geral de 11 de Dezembro de 2025 foi poderosa e a manifestação desse dia em Lisboa muito combativa e muito mais participada do que as manifestações habituais da CGTP.
E o 25 de Abril de 2026 voltou a ser massivo.
Como conciliar este aparente paradoxo?
Incontestável é que as direcções políticas e sindicais da “esquerda” tradicional têm perdido grande parte da confiança que os trabalhadores e a juventude nelas depositavam. Os resultados eleitorais são disso reflexo.
Mas a greve geral de Dezembro de 2025 e os últimos “25 de Abril” desmentem as teorias da crise geral da esquerda e do movimento operário e sindical de muitos “observadores”.
Tarda em surgir, isso sim, uma direcção alternativa, de mobilização e luta anticapitalista.
A nossa conclusão é simples e clara: quando, como no caso da greve geral e das manifestações de Abril, não há obstáculos aparentes à unidade e as direcções não praticam o sectarismo e a divisão, as massas trabalhadoras dizem presente.
Esse é o sinal que o 25 de Abril, agora em 2026, volta a dar: existe caminho; é o caminho da unidade na acção. A diferença de opiniões e propostas é normal, o debate e discussão política indispensáveis. Mas, na hora de enfrentar a ofensiva do inimigo, o caminho que as massas trabalhadoras e a juventude querem trilhar é o da frente de resistência unida: trabalhadores e jovens, contra patrões e governo.
Tanto mais preocupantes os sinais que as direcções das centrais sindicais parecem dar de voltar ao divisionismo: a UGT, em negociações e concertações eternas com o patronato e o governo sobre aquilo que, como toda a gente, incluindo a direcção da UGT, está farta de saber, não é nem negociável nem concertável; a CGTP, indicando que a “convergência” (com a UGT) de Dezembro é provavelmente “irrepetível” e ameaçando fazer a “unidade” consigo própria em jornadas de luta sem amanhã.
O 25 de Abril de 2024, reiterado em 2025 e repetido em 2026 mostra a quem quiser ver e ouvir: os trabalhadores e a juventude não estão nem derrotados nem desmobilizados nem desmoralizados. Falta-lhes, sim, direcção política, quando as velhas direcções se afundam.
Mas estão lá, prontos a lutar. Aos dirigentes políticos e sindicais que reivindicam representar os trabalhadores, exige-se uma consigna simples e clara: Greve geral conjunta pela retirada do pacote laboral, greve até ele cair!
