Argentina: Um milhão e meio de manifestantes em defesa das universidades públicas

O sistema de ensino superior público e gratuito, estabelecido em 1918, colocou a Argentina na vanguarda dos países da América Latina neste aspeto. Mas esta conquista histórica está agora ameaçada por cortes orçamentais.

A 12 de Maio, teve lugar a quarta marcha federal em defesa das universidades, protestando contra a recusa do governo de Javier Milei em respeitar as disposições da lei de financiamento universitário.

A mobilização foi massiva e abrangeu todo o país: participaram mais de um milhão de pessoas. Em Buenos Aires, a Plaza de Mayo estava lotada. De Córdoba e Tucumán à Patagónia, as marchas atingiram proporções históricas. A mobilização beneficiou de um elemento-chave: o apoio maciço dos sindicatos CGT e CTA, cujos membros se juntaram aos estudantes nas ruas, unindo as suas reivindicações numa só voz.

As medidas de austeridade estão a mergulhar os professores em situações precárias, obrigando-os a acumular vários empregos, o que prejudica a qualidade da educação. Ao mesmo tempo, o aumento vertiginoso dos preços dos alimentos, das rendas e dos transportes está a impedir milhares de estudantes de suportar os seus estudos universitários.

As políticas universitárias de Milei também estão a ter um impacto severo no sistema público de saúde. O prestigiado Hospital Universitário José de San Martín, em Buenos Aires, sofre de falta crónica de verbas, apesar de ser responsável pela formação de mais de 1.500 internos e profissionais de saúde por ano em trinta e seis especialidades.

Este dia histórico, bem como as recentes manifestações contra o desmantelamento dos direitos laborais, sublinha a urgência e a possibilidade de formar uma frente unida para uma greve geral contra as políticas de austeridade de Milei, em defesa dos direitos dos trabalhadores e do futuro dos jovens.

Ricardo Sonny Martinez, escritor e jornalista,
signatário da convocatória para a reunião
do Comité Internacional contra a Guerra e a Exploração, no dia 8 de Novembro, em Paris.