A 17 de maio, 600 drones ucranianos atacaram várias regiões da Rússia, incluindo Moscovo, onde, pela primeira vez, se registaram mortos e feridos. O regime já tinha sido obrigado a cancelar a maior parte do seu desfile militar de 9 de Maio, que celebrava a vitória sobre o nazismo em 1945, por receio de ataques deste tipo.
Em mais de quatro anos de guerra, o regime ucraniano recebeu centenas de milhares de milhões de euros e dólares em armamento dos países da NATO… O mais recente: o empréstimo europeu de 90 mil milhões de euros – dos quais 60 mil milhões foram imediatamente absorvidos pelas despesas militares – libertado após as eleições na Hungria. A Ucrânia produz agora cinco milhões de drones militares por ano e exporta alguns para outros conflitos.
Do lado russo, a situação é muito mais difícil do que a propaganda do regime deixa antever. Os 300 mil homens mobilizados em setembro de 2022 já morreram na linha da frente ou regressaram incapacitados. Os salários exorbitantes prometidos a quem se alista no exército já não são suficientes. Após o destacamento em massa de prisioneiros, o exército tenta recrutar — sem sucesso — nas universidades. Assim, milhares de homens desafortunados, recrutados em África, na América Latina e na Índia, engrossam as fileiras locais de “carne para canhão”.
A indústria de armamento está a mobilizar centenas de milhares de trabalhadores afastados da produção civil. E no sector civil, “a onda de despedimentos que começou em meados do ano passado continua a intensificar-se. Não são apenas os funcionários públicos, mas também os trabalhadores do sector estatal que estão ameaçados” (Gazeta.ru, 29 de Abril), incluindo um grupo inicial de 6.000 ferroviários.
Serão estes os primeiros sinais de futuras convulsões? No topo do regime, há preocupação. As medidas de segurança que roçam a paranóia estão a ser reforçadas, assim como a repressão sistemática. Gennady Zyuganov, líder do Partido Comunista e fiel aliado do Kremlin, advertiu no Parlamento, a 21 de Abril: se não forem tomadas medidas rápidas, “este Outono vamos assistir a uma repetição do que aconteceu em 1917. E não podemos permitir que isso aconteça“.