Viral: o video que mostra o ministro fascista Ben Gvir e os seus capangas a agredirem activistas da flotilha humanitária que se dirigia para Gaza, raptados por Israel em águas internacionais a 18 de Maio. As imagens provocaram legitimamente indignação e raiva a centenas de milhões de trabalhadores em todo a parte. Testemunhos de membros da flotilha, deportados para a Turquia, revelaram o grau de violência que lhes foi infligida durante a detenção. “Várias costelas partidas, cerca de trinta fracturas, cinco traumatismos cranianos graves, onze agressões sexuais, uma lesão ocular grave, uma lesão auricular grave…”, relatou, ao regressar a Paris, Juliette Dimet, uma das 185 detidas no “navio-prisão” israelita.
Como o activista israelita pela paz Maoz Inon tão apropriadamente salientou à France Inter no dia 22 de Maio — “o que Ben Gvir e a polícia estão a fazer com as flotilhas de todo o mundo, fazem-no todos os dias com os prisioneiros palestinianos nas cadeias, só que disso falamos muito menos.” Uma investigação do New York Times revelou um sistema de agressão sexual contra reclusos palestinianos. A relatora especial da ONU, Alice Jill Edwards, denunciou a tortura: “O número e a crueldade das denúncias demonstram um flagrante desrespeito, por parte de Israel, do seu dever de tratar todos os detidos com humanidade.” Ninguém que defenda a democracia pode dar crédito a Netanyahu quando ele declara que os actos de Ben Gvir “não se coadunam com os valores de Israel“. Os “valores” de Netanyahu e do seu Estado são violência, apartheid e genocídio. A prova? Ben Gvir era, e é, Ministro da Segurança Nacional.
Merecem nulo crédito, igualmente, as indignadas declarações de governos ocidentais, incluindo o português — que continuam a fornecer a Israel os meios militares, financeiros e políticos para prosseguir o genocídio. Enquanto sobre o povo palestiniano, de Gaza à Cisjordânia, paira a ameaça da pura e simples aniquilação, todos os governos europeus mantêm relações diplomáticas, militares, económicas, comerciais, culturais e desportivas com o Estado genocida e torcionário.
A violência contra os membros da flotilha merece condenação, tal como a merece a tentativa de apagar do mapa o povo palestiniano. O dever das organizações operárias e democráticas é unirem-se para obrigarem os seus governos a isolar o Estado genocida e torcionário, a ostracizá-lo da humanidade e a romper imediatamente todos os laços diplomáticos, militares, económicos, comerciais, culturais e desportivos com ele.