Netanyahu manda o exército israelita apoderar-se de “70% da Faixa de Gaza”, acrescentando que “depois tratamos do resto”

Em declarações feitas num colonato na Cisjordânia, disse o primeiro-ministro israelita, que luta pela sobrevivência política antes das eleições, que “estamos a fazer pressão sobre o Hamas. Já controlamos 60% do território na Faixa de Gaza. Estávamos em 50%, passámos para 60%. A minha directiva é chegar a…” – 100%, interveio um jornalista – “Vamos por fases. Comecemos por 70%. (…) Depois tratamos do resto”, concluiu Netanyahu.

O cessar-fogo mediado pelos EUA permitiu a Israel controlar 53% de Gaza, mas as forças israelitas continuam a avançar. Declararam, e controlam, uma terra de ninguém.

A expansão do controlo militar israelita é uma violação directa do cessar-fogo de Outubro, da resolução do Conselho de Segurança da ONU que o ratificou e do “plano de paz” em 20 pontos de Donald Trump, que fixou uma “linha amarela” temporária que dividia Gaza em duas metades, controladas por Israel e pelo Hamas, na pendência de novas conversações.

No dia 27 de Maio, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em comunicado “que o Governo vai aplicar um plano que fará com que grande número de palestinianos deixe Gaza ‘no momento oportuno e de maneira oportuna’” (The Guardian, 28 de Maio).

Milícias apoiadas por Israel obrigaram os residentes a evacuar as suas terras. Desde o início do cessar-fogo, acções israelitas resultaram em mais de 900 mortes de palestinianos.

O investigador do grupo de vigilância Armed Conflict Location and Event Data Project Nasser Khdour declarou, segundo The Guardian, (28 de Maio) que “temos assistido a assassinatos, detenções e raptos de civis que vivem nestas áreas; recentemente, verifica-se também um aumento das actividades de patrulha das milícias”.

Tanto o confinamento de 2,2 milhões de palestinianos a áreas cada vez mais restritas em condições de vida que se assemelham a campos de concentração como a declaração por Netanyahu de objectivos territoriais que implicam a “migração voluntária“(1) dos palestinianos, são evidentes frentes do andamento do plano sionista de limpeza étnica.

Enquanto o povo palestiniano se vê em risco de aniquilação iminente, de Gaza à Cisjordânia, enquanto o sionismo prossegue a sua campanha militar de expansão colonial em várias frentes, os governos europeus mantêm os laços diplomáticos, militares, económicos, comerciais, culturais e desportivos com o Estado genocida e torcionário.

Condenemos o apagamento do povo palestiniano do mapa! Para além das meras palavras, é dever das organizações operárias e democráticas de todo o mundo unirem-se para obrigarem os seus governos a isolar o Estado genocida e torcionário, ostracizá-lo da humanidade, romper imediatamente todos os laços diplomáticos, militares, económicos, comerciais, culturais e desportivos com ele.

(1) A expressão usada por responsáveis israelitas como Katz.

Entretanto, na Cisjordânia

No dia 19 de Maio, o ministro Bezalel Smotrich instruiu o Vice-Chefe para os Assuntos Internos da Administração Civil para iniciar procedimentos de evacuação da comunidade palestiniana de Khan al-Ahmar, localizada a leste de Jerusalém, no coração da Cisjordânia. Os residentes de Khan al-Ahmar são palestinianos que foram deslocados de áreas dentro de “Israel” em 1948 e se estabeleceram a leste de Jerusalém durante a década de 1960, quando a área estava sob domínio jordano. Desde a ocupação da Cisjordânia, em 1967, que os governos israelitas se recusam a reconhecer a comunidade de Khan al-Ahmar e a emitir licenças de construção para a mesma. Alegando falta de licenças, emitiram ordens de demolição de todas as estruturas construídas. Em anos recentes, a pressão internacional impediu sucessivos governos israelitas de executar as ordens de demolição. Agora, seguindo a directiva de Smotrich, a demolição das casas de Khan al-Ahmar poderá ocorrer nas próximas semanas.

No ano que passou, o governo israelita intensificou esforços para avançar com um novo colonato na área E1 composto por 3.401 unidades habitacionais, procurando, do mesmo passo, apoderar-se de uma área estimada em aproximadamente 3% da Cisjordânia, desalojando as comunidades palestinianas que aí vivem. O plano E1 dividiria a Cisjordânia ao meio, impedindo qualquer desenvolvimento urbano palestiniano no coração metropolitano em torno de Jerusalém Oriental. Para quem ainda nisso acreditasse, é o golpe final em qualquer possibilidade de Estado palestiniano viável.

A Área Ocupada por Israel em Gaza, no Líbano e na Síria Atinge 1000 km2

(Equipa de Investigações Digitais da Al Jazeera)

Desde 7 de Outubro de 2023 que os mapas de controlo militar israelita deixaram de ser meras representações oficiais para reflectirem a realidade prática no terreno. A Equipa de Investigações Digitais da Al Jazeera analisou três áreas: Gaza, sul do Líbano e sul da Síria.

GAZA

Em Gaza, a “Linha Amarela” designada pelo exército israelita após o cessar-fogo de 10 de Outubro de 2025 visava demarcar as zonas de controlo militar. No entanto, imagens de satélite revelaram discrepâncias entre as fronteiras declaradas e o controlo real. Muitos dos marcos militares israelitas ultrapassavam os limites dos mapas oficiais em centenas de metros. No dia 20 de Novembro de 2025, soube-se que as forças israelitas avançaram aproximadamente 300 metros para Oeste, invadindo os bairros de Shujayea e Tuffah. O ajuste territorial aumentou a área de controlo militar no Norte de Gaza e na Cidade de Gaza de 67,3 km² para 73,9 km², um aumento de 4,7%. A “Linha Amarela” abrange, portanto, mais de metade da área de Gaza, com crescimento significativo em regiões específicas.

Mapa israelita que delineia a expansão da zona de controlo militar em Gaza (30/04/2026).

Sul do Líbano

Padrão semelhante ao observado em Gaza se nota igualmente no Sul do Líbano. O controlo militar israelita abranger aproximadamente 570 km² segundo mapas divulgados após o cessar-fogo de 17 de Abril de 2026. A área compreende mais de metade do território ocupado desde 7 de Outubro de 2023, abrangendo Gaza, a Síria e o Sul do Líbano. No entanto, ainda é incerto o alcance da actividade militar. A análise de imagens de satélite de 24 de Abril a 19 de Maio de 2026 indica demolições além da proclamada “Linha Amarela”, nomeadamente edifícios destruídos em cidades como Zawtar al-Sharqiyah após o cessar-fogo.

Sul da Síria

No Sul da Síria, não havendo fronteiras israelitas oficialmente declaradas, é difícil compreender o alcance do controlo militar. Uma investigação identifica uma rede de posições militares israelitas permanentes além da “Linha Alfa”, formando uma faixa militar que vai de Jabal al-Sheikh ao rio Yarmuk. Estima-se, com base nas infra-estruturas existentes, que o controlo israelita abranja aproximadamente 235 km². No entanto, dados do projecto ACLED revelam mais de 800 incursões das forças israelitas além deste perímetro entre Dezembro de 2024 e Janeiro de 2026, indicando uma presença militar flutuante, não confinada a posições fixas. Uma operação penetrou aproximadamente 63 km Síria adentro. A análise mostra um padrão distinto no Sul da Síria, onde a presença militar evoluiu de postos avançados fixos para extensas operações em profundidade no território.

Panorama geral

A investigação estima a área total sob controlo militar israelita em aproximadamente 1.000 km², distribuída principalmente pela Faixa de Gaza, Sul do Líbano e Sul da Síria. Este número deriva de fronteiras declaradas pelo exército israelita em Gaza e no Sul do Líbano. Quanto ao Sul da Síria, baseia-se, à falta de mapas oficiais, em estimativas geográficas independentes da influência militar.