“O Presidente Trump gosta que as suas vitórias militares e diplomáticas sejam rápidas, claras e decisivas. Mas hoje, Trump entrou numa fase de impasse na sua presidência. É nesse mesmo impasse que a guerra com o Irão claramente se encontra” (New York Times, 31 de Maio). O reatamento dos ataques americanos no Irão reflecte apenas uma coisa: as oscilações de Trump, que continua sem saber como concluir a sua ofensiva militar. Enquanto hesita com o Irão, o imperialismo americano deixa Israel de mãos livres. Netanyahu sabe onde quer chegar: o mais longe possível.
No Líbano, o exército israelita acaba de tomar a fortaleza de Beaufort, “uma posição estratégica, sobranceira ao rio Litani” (Le Monde, 1 de Junho). A destruição e o saque sistemático de aldeias já causaram mais de 3.300 mortes. A 28 de Maio, Netanyahu anunciou que tinha ordenado ao exército israelita que tomasse 70% da Faixa de Gaza. No dia anterior, dez palestinianos, incluindo cinco crianças, foram mortos num bombardeamento.
“Israel apoderou-se de territórios a que os responsáveis israelitas chamam ‘zonas-tampão de segurança’. Mas há israelitas que querem expandir permanentemente as fronteiras do país, usando a Bíblia como mapa” (NPR, 31 de Maio), projecto também conhecido como “Grande Israel”. Como afirma o director da ONG israelita Paz Agora, o governo “quer anexar os territórios, controlá-los e estabelecer um Estado racista assente na supremacia judaica. Não tem nada que ver com segurança; antes pelo contrário” (Le Monde, 1 de Junho).

O único plano que Netanyahu tem é prosseguir a expansão sionista tão longe e durante o máximo tempo possível. Reservistas israelitas no Líbano testemunham: “Poucas horas antes de entrarmos no Líbano, o comandante da brigada veio falar connosco: ‘Estamos num momento histórico; vamos destruir o Hezbollah. (…) O Norte poderá viver em segurança, tudo graças a vós’. (…) Não é a primeira vez que vivo este cenário antes – foi o mesmo antes de entrarmos em Gaza, antes da operação anterior no Líbano. (…) Na aldeia em que entrámos, não havia terroristas. (…) Não houve combates, apenas operações de demolição de casas. Há dois anos, a IDF (o exército israelita – nota do editor) passou a ser ‘a IDF encarregada da destruição de casas’. Os meios de comunicação social vão falar de combates intensos e da destruição das infra-estruturas terroristas, mas a única missão que nós temos é não deixar nenhum edifício de pé, destruir tudo (…), mesmo as escolas, as clínicas (…). Tínhamos a sensação de estar numa corrida contra o tempo, a tentar demolir o máximo possível” (Haaretz, 20 de Maio).
Mais do que nunca, é dever das organizações operárias e democráticas unirem-se e obrigarem os seus governos a romperem imediatamente todos os laços diplomáticos, militares, económicos, comerciais, culturais e desportivos com o Estado sionista.