O pacote laboral preparado pela ministra milionária Ramalho do governo Montenegro ao serviço das confederações patronais foi hoje rejeitado pelo Parlamento.
Não se tratou, porém, de uma vitória parlamentar.
Quem venceu foram as massas trabalhadoras e a juventude, que, nos locais de trabalho e nas ruas do país, se mobilizaram em massa, sobretudo na greve geral e manifestação de 11 de Dezembro convocada pelas duas centrais e na de 3 de Junho.
Houve divisões e tergiversações. Mas a força da resistência dos trabalhadores pôs o medo do outro lado. Com a Plataforma Unitária de Sindicatos, composta por uma dezena de sindicatos independentes, batemo-nos sempre pela unidade na acção de todos os trabalhadores e sindicatos, contra a divisão, pela derrota do pacote.
No meio de evidente confusão interna até ao momento da votação, o Chega neofascista acabou por votar contra o pacote. Não, evidentemente, por amor aos direitos dos trabalhadores. Ventura é financiado pelo mesmo patronato que Montenegro e deixou bem claro que votaria o pacote com todo o gosto. Ele corresponde, aliás, ao programa de fundação do Chega, entretanto apagado para não prejudicar a cruzada populista.
Até ao último instante, Ventura regateou com o primeiro ministro o preço do seu voto. Queria que Montenegro, no momento da rendição, reconhecesse quem passava a mandar. Montenegro quis-se fazer caro. Ventura optou por mandá-lo às urtigas e provocar a crise política.
Os trabalhadores e a juventude podem bem com a crise interna dos seus inimigos. Sabem, porém, que a vitória não é mais do que uma trégua.
Se Montenegro cair e vier Passos/Ventura, outros e piores pacotes virão. A mobilização vai ter de continuar. A organização e vigilância dos trabalhadores, de redobrar.
Caído o pacote, é hora de fazer cair este governo ilegítimo.
A hora é de construir os instrumentos políticos que ajudem os trabalhadores a construir organização e direcções combativas nos locais de trabalho, nos sindicatos, que estejam de pé firme na luta pela defesa dos direitos sindicais, do direito à greve, da saúde e do ensino públicos, pela restauração do direito à habitação.
Esse é o combate da Plataforma por um Partido dos Trabalhadores: contra a militarização e a guerra, pelas conquistas da revolução de Abril, por um novo Abril, por um governo dos trabalhadores e ao serviço dos trabalhadores. Junta-te a este combate!
Celebrando a derrota do pacote laboral, preparemo-nos para a luta.
O pacote caiu! A luta continua! Montenegro para a rua!