“Os sismos na Venezuela acrescentam uma nova e trágica camada à crise humanitária do país.”

O número de vítimas em consequência dos sismos de quarta-feira na Venezuela atingiu este sábado os 1400 mortos e os 3400 feridos, havendo 55000 desaparecidos listados num website não oficial criado para o efeito. Centenas de edifícios foram destruídos e os desalojados contam-se por milhares.

A situação, que seria devastadora em qualquer país, assume aspectos particularmente dramáticos num país que vive uma crise humanitária há mais de uma década.

As equipas de resgate e familiares dos desaparecidos, trabalhando em condições precárias e enfrentando escassez de equipamentos e materiais, procuram eventuais sobreviventes ente os escombros, enquanto os hospitais, que lutam com falta de meios há anos, procuram responder à afluência esmagadora de feridos, muitos dos quais em estado muito grave.

Fala-se do incumprimento das normas sísmicas estipuladas nos códigos de construção em muitas das edificações afectadas. Esta situação é agravada pela deterioração das infraestruturas devido à falta de manutenção.

Os órgãos de comunicação “ocidentais” apressam-se a apontar o dedo ao “regime bolivariano” no poder desde 1998, esquecendo que a crise que o país vive é, fundamentalmente, fruto da política de sanções e embargos levada a cabo contra a Venezuela pelo imperialismo americano e seus lacaios e que culminou no rapto de Maduro no início deste ano.

Como se pode ler na declaração postada no site https://www.codepink.org, “estas políticas infligiram imenso sofrimento às pessoas comuns, (…). A catástrofe de hoje deixa claro aquilo que defendemos há muito tempo: quando um país é deliberadamente enfraquecido através da guerra económica, a sua capacidade de se preparar, responder e recuperar de desastres também é enfraquecida”.

Trump anunciou que serão mobilizados 150 milhões de dólares de assistência para a Venezuela e que os Departamentos de Guerra e de Estado dos EUA estão a coordenar o apoio humanitário. Anunciou também uma moratória para algumas das sanções económicas em vigor.

Delcy Rodríguez, a presidente que assumiu o poder após o golpe apoiado pelos EUA, que incluiu o rapto de Nicolás Maduro, agradeceu ao presidente norte-americano, Donald Trump, pela sua “solidariedade”, enquanto o magnata prometia apoio militar e logístico após o terramoto.

O governo de Rodríguez é subserviente de Trump, servindo de veículo para a pilhagem imperialista da Venezuela. Neste contexto, as reformas destinadas a facilitar a tomada de controlo dos recursos petrolíferos e minerais por parte do capital estrangeiro estão claramente alinhadas com isto. Trump tem os olhos postos no petróleo venezuelano — as maiores reservas do mundo — e chegou a assinar um acordo com Caracas em Janeiro para a compra de crude, cujos fundos foram parar a uma conta supervisionada pela Casa Branca.

Os EUA tornaram-se, assim, os mediadores da capacidade de resposta à tragédia. Tendo assumido o controlo das receitas de exportação de petróleo do país após a captura de Maduro e mantendo ainda um regime de sanções, os EUA ditam quanto dinheiro pode ser recebido e como é gasto: uma oportunidade para o imperialismo americano aprofundar o controlo sobre a Venezuela. Como muito bem refere o CODEPINK: “Muitas vezes, vimos os EUA e outros países ocidentais explorarem desastres naturais como este para aprofundar o controlo estrangeiro. No Haiti, os EUA e os seus aliados têm repetidamente pressionado pela militarização e pela ajuda condicionada politicamente, em vez de uma recuperação genuína liderada pelo próprio país. Neste momento, o mundo deve recusar-se a permitir que a Venezuela seja forçada a seguir o mesmo caminho.”

Toda a nossa solidariedade para com o povo venezuelano nestes tempos difíceis.

Fim de todas as sanções e embargos contra a Venezuela!

Não à pilhagem dos recursos que pertencem ao povo da Venezuela e devem ser postos ao serviço da reconstrução.

Abaixo o Imperialismo! Yankees, fora da Venezuela!