Querem os patrões luta de classes? Muito bem, vão tê-la!

A administração da Mercedes-Benz informou cerca de 108 mil funcionários alemães que pretende abolir a semana de 35 horas e adoptar um horário de 40 horas — sem aumento do salário base. A proposta, detalhada numa carta interna enviada na sexta-feira, representa um desafio aberto aos trabalhadores. O conselho de trabalhadores rejeitou categoricamente o plano e prometeu lutar contra ele. Esta medida junta-se a outra: o chamado prémio de transformação, equivalente a 18,4% do salário mensal e originalmente previsto para Julho de 2026, foi adiado para 2027. Cerca de 90 mil trabalhadores serão afectados por este adiamento.

Resolução dos delegados sindicais
da Mercedes-Benz em Untertürkheim[1]

Já Basta. Protestar, resistir, greve!
Querem os patrões luta de classes? Muito bem, vão tê-la!

Mal passa um dia sem novo anúncio de que tal empresa vai fazer despedimentos ou tem de «poupar» — à nossa custa.

Crise por toda a parte.

E os patrões querem que sejamos nós a pagar.

Também não é que o governo faça alguma coisa por nós. Quer acabar com o imperativo legal da jornada de trabalho de 8 horas: que trabalhemos mais pelo mesmo salário ou até por menos. E ainda tem na manga a «reforma aos 70».

Trabalhar até morrer. Do subsídio de cidadania[2] passa-se a uma dita «prestação básica». Querem que, destruindo-nos o patrão o posto de trabalho, fiquemos obrigados a aceitar até o emprego mais miseravelmente pago.

Andam a dar cabo do sistema de saúde à força de austeridade, a transformar a assistência médica em privilégio para ricos. O dinheiro que, por causa das medidas de austeridade, falta nas caixas da segurança social vai também para o rearmamento. Querem que os nossos jovens voltem a ir para a guerra defender os lucros das grandes empresas.

Sem a nossa luta sindical e política não conseguiremos políticas melhores! Por isso, não vamos esperar que alguém nos mande protestar. Começamos já!

Ter pena de nós próprios, esperar numa pretensa «Alternativa para a Alemanha» ou implorar e suplicar ao governo não adianta. Sem a nossa luta sindical e política não conseguiremos políticas melhores! Por isso, não vamos esperar que alguém nos mande protestar. Começamos já!


[1] A fábrica da Mercedes-Benz de Untertürkheim, perto de Estugarda, na Alemanha, tem actualmente cerca de 18 mil operários. É a fábrica-mãe da marca, fundada em 1904, considerada o berço da indústria automóvel. Ainda é o principal centro de competências da Mercedes. Ali se produzem motores de explosão e eléctricos, caixas de velocidades, eixos, baterias.

[2] “Subsídio cidadão”, Bürgergeld, é o subsídio social de desemprego que garante o sustento de quem não tem meios para o conseguir sozinho. O governo pretende substituí-lo por uma “prestação básica”.