Caros companheiros e camaradas,

Guerra militar e guerra social, eis a barbárie que atinge, a níveis nunca vistos no mundo, na Europa, e também no nosso país, os povos, os trabalhadores, a juventude.

A proposta de Orçamento de Estado para 2024 apresentada pelo governo dá com uma mão (ao capital) e tira com  duas (aos trabalhadores). Salários abaixo da inflação, pensões baixas, carga fiscal que carrega cada vez mais nos impostos indirectos – que afectam mais quem menos ganha. 

A continuação do massivo desinvestimento público prepara o golpe de misericórdia no SNS, no ensino e na investigação, no direito à habitação, no transporte público, nos serviços públicos – em tudo o que constitui o nosso salário colectivo e nos permite viver.

A habitação, especialmente, é deixada à selva da especulação, negada aos jovens e aos trabalhadores em geral. Antigos moradores e jovens em início de vida são expulsos para periferias a horas de distância do trabalho. Os trabalhadores imigrantes vivem em condições indignas.

Os trabalhadores perdem poder de compra há mais de 20 anos. A tal “geração mais qualificada de sempre”, os jovens, são empurrados para fora do país ou para a precariedade. Os professores não recuperam os direitos correspondentes ao tempo de serviço efectivo. Médicos e enfermeiros são obrigados a horários absurdos por salários que não progridem. 

Ainda agora, a gestão danosa da AutoEuropa pôs milhares de trabalhadores em “lay-off”: tocou à segurança social, com a cumplicidade do governo, pagar a maior parte dos salários, protegendo os lucros da Volkswagen; e centenas de trabalhadores temporários perderam simplesmente o emprego.

Na TAP, os resultados da reestruturação ficaram à vista: trabalhadores e sindicatos coagidos a “acordos de emergência” com perdas de direitos e salários, cortes nos postos de trabalho: medidas brutais tomadas pelo governo em cumprimento das instruções e imposições da Comissão Europeia. Agora, a reprivatização: o famoso “hub” entregue aos interesses dos “investidores” que vierem… depois dos exemplos da privatização do BES a um fundo abutre texano que extraiu, anos a fio, milhares de milhões do Orçamento do Estado; da projectada privatização da EFACEC a um fundo abutre alemão; e da Groundforce, a fundos especulativos do Kuwait…

Porém, também estão aí as porfiadas lutas dos professores, dos médicos e enfermeiros; dos funcionários judiciais e dos trabalhadores da Administração pública; as lutas dos trabalhadores da IP-Infraestruturas, da IP-Telecom, da IP-Engenharia e da IP-Património, da Portway, da Galp e da Petrogal, dos transportes e das telecomunicações, dos bares da CP. Estão aí, também, as lutas por vínculos e direitos iguais, pela laboralidade e por contratos de trabalho nas plataformas, contra a uberização, a individualização e a precariedade. 

Estão aí as lutas dos operários americanos do automóvel, a difícil resistência dos trabalhadores na Rússia e na Ucrânia à política de guerra. À guerra, que se volta agora contra o povo palestiniano, barbaramente dizimado em Gaza.   

Estão aí as lutas para defender as conquistas de Abril, tantas delas seriamente comprometidas.

Tréguas, não as há

Quem nos governa, em Bruxelas e em São Bento, ordena e prepara mais e novos ataques.

Nós constituímo-nos como “Solidários: Trabalhadores Atacados Não Podem Ficar Isolados!” para procurar ajudar a conseguir a unidade e a solidariedade na luta e entre as lutas de tantos sectores de trabalhadores atacados. 

Somos pela defesa dos interesses dos trabalhadores – e só dos trabalhadores, sem contemplação dos interesses do patronato e do Estado que lhe obedece.

Urge podermos juntar-nos de novo amplamente, activistas, membros de CT’s, sindicatos e sindicalistas que entendem seu dever enfrentar unidos os desafios e ameaças que nos preparam.

Quando agoiram “as nuvens negras” da crise do sistema capitalista, nós exigimos: aumentos de salários e pensões superiores à inflação, que nos restituam a dignidade; direito imediato à habitação para todosinvestimento massivo no serviço nacional de saúde; reposição dos direitos laborais e sociais fundamentais, fim da precariedade.

Onde o governo PS e a União Europeia, com as “suas contas certas”, pretendem que sejam de novo os trabalhadores e os mais desfavorecidos da sociedade a pagar a crise, nós dizemos: pague-a o capital, que dela beneficia e dela vive!Todos ao 2.º Encontro Nacional dos Solidários! Debatamos e preparemos as medidas, palavras de ordem, formas de organização, comunicação e publicação, orientações de unidade e luta para construir a frente de resistência unida que ajude os trabalhadores a enfrentar e reverter a situação.