Carta Convite para uma

CONFERÊNCIA INTERNACIONAL PELO PARTIDO MUNDIAL DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA NO OUTONO DE 2023

A carta inicia-se descrevendo que “neste final de 2022, o mundo instala-se na guerra, que alastra as suas devastações e desola-ção a todo o planeta. É uma escalada. Hoje Ucrânia e Rússia, África, amanhã a China. Haverá saída? Para quem se situe no ponto de vista dos explorados e oprimidos, é uma discussão necessária. Queremos abri-la”.
A carta enumera os parâmetros da discussão para uma conferência frutuosa que ajude “a reconstrução do movimento operário com um novo eixo”.
Começando pela guerra na Ucrânia, refere que a sua “natureza capitalista e imperialista (…) já não carece de demonstração. Reflecte-se na situação de todos os principais países imperialistas, marcada por um tríptico de: gigantescos investimentos na economia de guerra; violentíssimos ataques aos trabalhadores e à juventude, atentatórios de todos os seus direitos e garantias conquistados pela luta de classes, generalizando a precariedade e a “uberização” da sociedade, atentando contra as liberdades democráticas – muito em especial a liberdade de organização – e impondo considerabilíssimos cortes orçamentais aos serviços públicos e reduções de poder de compra e salários; e os lucros monstruosos que as multinacionais tiram desta situação.”
Na verdade, se algo há de novo na evolução mais recente do imperialismo é que “há já trinta ou quarenta anos que as classes trabalhadoras de todos os países imperialistas se vêem elas próprias arrastadas numa espiral de regressão social e de decomposição que se desenvolve em paralelo com a espiral de destruição e pilhagem das antigas colónias.”
Assim, “o carácter do imperialismo como reacção em toda a linha não se mede unicamente pela sua incapacidade para satisfazer as reivindicações democráticas mais elementares a que, na sua fase ascendente, a burguesia conseguia, pelo menos em parte, dar resposta, mas, mais ainda, por estarem a ser brutalmente postas em causa todas as conquistas democráticas conseguidas na fase anterior.” E o “que está em falência é um e o mesmo sistema capitalista, assente na propriedade privada dos meios de produção, o sistema que guia o braço assassino dos governos fautores de guerra e os planos das instituições internacionais – FMI, Banco Mundial – que estran-gulam os trabalhadores e os povos das nações dominadas.”
Daí decorre a necessidade da “luta pelo socialismo – e esta luta só pode ser travada à escala internacional – , socialismo que só o próprio movimento das massas poderá realizar, sob a direcção da classe trabalhadora, tomando em mãos o poder político para expropriar o capital e socializar os meios de produção.”
A carta nota que “por todo o mundo, o movimento próprio das massas oprimidas e exploradas trá-las para o caminho do levan-tamento e da mobilização de massas.” E refere a crise profunda, nomeadamente depois da queda da URSS, dos aparelhos, sociais-democratas e estalinistas, que tradicionalmente têm dirigido o movimento dos trabalhadores apesar de há muito terem capitulado ao imperialismo, conduzindo a classe trabalhadora a derrotas sucessivas. Pelo que, para abrir uma saída de classe, “se exige que os trabalhadores, grupos e militantes que partilham a necessidade de voltar para o terreno da classe actuem concertadamente, reclamem-se eles ou não da IVª Internacional. Não, Outubro de 1917 não morreu: Outubro de 1917 pôs na ordem do dia, pela primeira vez desde a Comuna de Paris, o governo da classe trabalhadora e a expropriação da classe capitalista.”
Em conclusão, “nenhum militante ope-rário de nenhum país, nenhum grupo, nenhuma organização que estabeleça para si própria, sinceramente, o objectivo de ajudar as massas a combater pelo socia-lismo pode passar sem responder à pergun-ta: que partido internacional dos trabalha-dores para ajudar a classe trabalhadora?”

“Este convite à discussão, lançamo-lo, pois, a todos: a todos os militantes, a todas as correntes e organizações do movimento operário e democrático que – independentemente da sua história e origem política – não renunciaram, tal como nós, ao combate pela independência de classe e pelo socialismo”.

O homem controlador do Universo, Diego Rivera, 1933
(Fresco, cujo tema era “a encruzilhada da humanidade”).